ABORTO POR ENCOMENDA: PC de Manhuaçu prende mulher que vendia comprimidos pela internet

A Polícia Civil descobriu um esquema de venda de medicamento abortivo pelas redes sociais, sediado em Manhuaçu

Por Estevão Gomes 17/04/2019 - 11:12 hs

A Polícia Civil descobriu um esquema de venda de medicamento abortivo pelas redes sociais, sediado em Manhuaçu, com entrega para todo o Brasil. Flávia do Carmo Alves Moreira (31 anos) foi presa em Vilanova e se passava por Cilene Fontinele nas redes sociais para vender o comprimido por 1.500 reais. O fornecedor também foi preso. Um camelô da rodoviária de Manhuaçu. Marcos Vinícius Ribeiro de Araújo (30 anos) buscava o medicamento no Paraguai.

A operação da Polícia Civil para a prisão dos suspeitos foi desencadeada nesta terça-feira, 16/04. No entanto, a investigação estava acontecendo há alguns meses. As denuncias chegaram a Manhuaçu através de ativistas de duas organizações que defendem a vida e condenam o aborto, ligadas à Ministra dos Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher, Damares Alves.

Coordenada pelo Delegado Regional de Manhuaçu, Dr. Carlos Roberto Souza, a investigação contou com os policiais da agência de inteligência da Polícia Civil e do serviço de inteligência dos Correios. “Recebemos as informações e começamos a monitorar a suspeita. Apuramos que comercializava os medicamentos através das redes sociais e aplicativos de mensagens como o Whatsapp”, explica o delegado.

Policias civis cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa da suspeita Flávia do Carmo Alves Moreira. Foram encontrados vários comprimidos de medicamentos abortivos. “Localizamos cartão de banco, caderno com anotações referentes ao comércio de Cytotec, comprovando o  levantamento realizado pela Agência de Inteligência Policial. No inteiror do veículo de Flavia, localizamos também um comprovante de envio de mercadoria, emitido pelos Correios e identificamos também o fornecedor dos medicamentos que trazia o remédio do Paraguai”, relata Dr. Carlos.

O suspeito Marcos Vinícius Ribeiro de Araújo era o fornecedor dos medicamentos. “Ele trabalha como camelô na região da rodoviária e viajava uma vez por mês até o Paraguai para buscar mercadorias e trazia os medicamentos”, explica.

FACEBOOK E GRUPO DE WHATSAPP

Segundo a investigação da Polícia Civil, Flávio vendia o medicamento para o Brasil inteiro. O contato era feito através das redes sociais e mensagens de celular. “Ela criou um perfil pessoal falso no Facebook com o nome de Cilene Fontinele (Aborto Seguro). Também havia um grupo de whatsapp, onde fazia os contatos. Conseguimos nos infiltrar e colhemos provas inclusive com depoimentos e fotos de pessoas que compraram o medicamento e expuseram o resultado do aborto”, completa.

1.500 REAIS + SEDEX

A divulgação e comercialização irregular do Cytotec (misoprostol), medicamento sem registro no Brasil, é proibida desde 2005. A mulher de Manhaçu cobrava 1.500 reais por seis comprimidos mais a taxa de envio dos Correios.

Toda e qualquer venda de medicamentos à base da substância misoprostol é restrita a estabelecimentos hospitalares devidamente cadastrados e credenciados. Mas a marca comercial utilizada nesses ambientes, os serviços de saúde, é o Prostokos, medicamento registrado na Anvisa.

A substância misoprostol faz parte da lista de substâncias sujeitas a controle especial, norma atualizada regularmente pela Anvisa, sempre que uma droga nova surge ou que descobertas científicas exigem revisões na lista.

A venda do Cytotec é vista como uma referência explícita a aborto, que é a prática que alavanca as vendas clandestinas da substância. A comercialização dele é crime hediondo.

TENTATIVA DE SUICÍDIO

Os dois suspeitos foram presos e encaminhados à delegacia de Polícia Civil de Manhuaçu.

Durante a confecção do boletim de ocorrência, Marcos tentou se suicidar na delegacia utilizando o cabo de energia de uma impressora. O fato foi impedido pelos agentes. O camelô foi socorrido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Depois de medicado, foi encaminhado para o presídio.

Segundo o delegado regional, as investigações continuam e todos os envolvidos, inclusive as pessoas que compraram os medicamentos, serão ouvidos e poderão responder criminalmente. “O crime do aborto está previsto, no Código Penal, e as penas chegam a até 20 anos de prisão”, destaca Dr. Carlos.

Jailton Pereira - Redação do Portal Caparaó