Delete ou jogue no lixo

Por Eliezer Siqueira 12/03/2019 - 10:49 hs

  Tanto faz, quer na política partidária, em representação de classe, sindicatos, orador da turma, paraninfo, patrono e até síndico de condomínio, os níveis das campanhas, por mais lúcidos que sejam seus concorrentes, tendem sempre a baixar, chegando ao ridículo e até criminosos. Quantas amizades desfeitas e feridas impossíveis de serem cicatrizadas com ofensas tão mesquinhas! Com total razão o jornalista Alon Feuerwerker, quando em um de seus artigos advertiu: “Não brigue com seu amigo por causa de política. Depois os políticos se entendem, mas você perdeu um amigo”.

    

    Em uma conhecida cidade do sul do Estado, onde passei os melhores momentos da minha adolescência, dois amigos em comum, numa discussão totalmente desprovida de propósito, acabou um assassinando o outro, porque um defendia um Governador da época e outro fazia críticas contra o mesmo. Resultado: duas famílias queridas, marcadas pela tragédia da absurda intolerância, cujos filhos de ambas, amargam as nefastas consequências que mancharam suas vidas pela total ausência de equilíbrio emocional daqueles pais, enquanto os dois políticos citados viviam na capital ou às vezes em Brasília em diálogos amistosos e permanentes.

    Com o avanço da tecnologia então, usam-se as redes sociais para as mais devastadoras ofensas pessoais, como se não estivessem cometendo crimes contra a honra. Em muitas ocasiões advém de pessoas que inclusive não são nossas conhecidas, mas se sentem no direito de invadir nossos blogs ou perfis para vociferar ofensas e acusações vãs, que se chamadas às barras da justiça, não têm como apresentar um mínimo de provas. O pior é que em disputa eleitoral em órgão de classe, as ofensas que visam desqualificar este ou aquele concorrente, sempre advém de quem a gente nunca espera, às vezes originam-se daqueles que pensávamos serem amigos.

    Para tanto, estas pessoas, às vezes estudadas mas desprovidas do mínimo de civilidade, usam de informações falsas, de falácias e sofismas, que são argumentos irreais com aparência de verdade construída sob o sabor do fel da maledicência. O poder de escolha deste ou daquele candidato não nos confere legitimidade para permitirmos que a emoção tome o lugar da razão, afinal isto não constrói nada e geralmente leva a conversa para uma direção indesejada. Que em nossos debates, não haja sarcasmo, ironia, deboche, ofensas e outros meios de atacar com agressividade o candidato com o qual não somos simpáticos.

    Não desejo aqui ignorar que nosso país tem sido polarizado com essas discussões sobre todo tipo de política, fazendo-nos mudar de opinião quando à conhecida e antiga frase de que: “futebol, religião e política não se discute”. Claro que a discussão sempre é fundamental para o fortalecimento da democracia, portanto estas fases são de polarização mesmo, mas discutir ou debater com elegância e respeito, sempre será mais produtivo e salutar para todo certame eleitoral e se houver ofensas ou agressões, em nome da paz, delete ou jogue no lixo! A pátria, assim como os sindicatos e associações de classe agradecem, pois tudo isso significa paz na política e precisamos sempre de mais paz. Esta jamais será demais. TENHO DITO!